Como fazer curva ABC em loja de auto peças
Loja de auto peças vive um paradoxo: são milhares de itens no cadastro, mas poucas centenas sustentam o faturamento. A curva ABC é a forma mais rápida de saber quais peças merecem estoque garantido e quais estão apenas ocupando prateleira e capital de giro.
No fim do guia você baixa a planilha de curva ABC pronta — só colar as vendas do período.
O que é curva ABC (e por que ela importa em auto peças)
A curva ABC aplica o princípio de Pareto ao seu estoque: a maior parte do resultado vem de uma minoria dos itens. A classificação divide o catálogo em três grupos, pelo peso de cada item no faturamento (ou na margem) do período:
- Classe A: os itens que somam até 80% do faturamento. Normalmente 15% a 20% do catálogo — filtros, pastilhas, velas, óleo, correias.
- Classe B: de 80% a 95% do faturamento. Giro médio, reposição periódica.
- Classe C: os 5% finais, espalhados por centenas de códigos. Muitos deles cabem melhor sob encomenda do que em prateleira.
Em auto peças isso pesa mais do que na média do varejo por causa da aplicação por veículo: um mesmo tipo de peça tem dezenas de variações por marca, modelo e ano. Sem curva ABC, é fácil comprar o código errado e deixar faltar o que o mecânico pede toda semana.
Passo a passo para montar a curva ABC
- Escolha o período: 6 ou 12 meses de vendas. Períodos curtos distorcem itens sazonais (ar-condicionado, bateria, palheta em época de chuva).
- Levante os dados por item: código, descrição, quantidade vendida, preço médio de venda e custo unitário.
- Calcule o faturamento: quantidade × preço de venda. Calcule também a margem: quantidade × (preço − custo).
- Ordene do maior para o menor faturamento e some o percentual acumulado linha por linha.
- Marque as classes: A até 80% acumulado, B até 95%, C o restante.
- Cruze com a margem: peça de alto faturamento e margem baixa não é prioridade de capital — é volume. A prioridade real está no cruzamento faturamento × margem × giro.
Exemplo prático
Uma loja vendeu, em 6 meses: 310 velas a R$ 19,90 (R$ 6.169), 120 filtros de óleo a R$ 28,90 (R$ 3.468), 64 jogos de pastilha a R$ 139,90 (R$ 8.954), 22 amortecedores a R$ 289 (R$ 6.358) e 18 kits de correia a R$ 349 (R$ 6.282).
Ordenando por faturamento, pastilha, amortecedor e correia entram primeiro: juntos passam de 70% do total — são a classe A desta amostra, mesmo vendendo muito menos unidades que a vela. É exatamente o erro clássico: comprar pelo que sai mais em quantidade, não pelo que sustenta o caixa.
O que fazer com o resultado
- Classe A: nunca deixe faltar. Estoque mínimo definido, ponto de reposição automático e negociação de preço/prazo com o fornecedor.
- Classe B: reposição periódica e olho no item que está migrando para A (tendência de alta).
- Classe C: queime o parado, trabalhe sob encomenda e evite compra por 'aproveitar promoção do representante'.
- Compras: monte o pedido a partir da curva + estoque mínimo, não da memória do balcão.
- Balcão: as peças A ficam na posição mais acessível; isso reduz tempo de atendimento.
Erros comuns
- Classificar por quantidade vendida em vez de faturamento ou margem.
- Fazer a curva uma vez e nunca refazer — o mix muda a cada trimestre.
- Ignorar o custo: item de faturamento alto e margem mínima consome capital sem gerar lucro.
- Misturar períodos com e sem promoção, o que infla itens pontuais.
- Não bater o estoque físico antes: curva feita sobre estoque errado gera compra errada.
Quando a planilha não dá mais conta
A planilha resolve o diagnóstico, mas não acompanha o dia a dia: cada venda no balcão precisaria ser digitada de novo. No SysEmpresa, a curva ABC, o giro por item, o estoque mínimo e os alertas de ruptura saem prontos e atualizados a cada venda no PDV — integrados a compras, financeiro e fiscal.
Veja também: controle de estoque: o que é e como fazer e sistema para oficina mecânica.
